Monday, November 3, 2008

...

abandonei as palavras...
deixei que o vento levasse a vontade.
faz frio aqui!
deixo de sentir os dedos, o meu corpo adormece numa dormência invulgar. A lua aparece-me tímida, num brilho fosco no alto dum céu nu de estrelas.


...suspiro.

Thursday, October 30, 2008

os dias aparecem-me cinzentos...têm uma musica ao longe, um assobio terno... a preguiça surge devagarinho por entre os tímidos raios de sol que conseguem vencer as nuvens que o céu carrega...

Sunday, October 5, 2008

excertos de uma viagem inacabada...

Uma tômbola, quero respirar e o ar some-se por entre devaneios, colo as minhas mãos ao vidro que me separa de mim mesma, estou em mim, olho em meu redor não são órgãos, não existe o sangue… as palavras se passeiam pelo meu corpo, atulham os cantinhos mais escuros, que pensava seguros deste corpinho que me serve de altos muros e não me deixa viver.

Colo o nariz naquele vidro, cria-se uma nuvem enublada, se pouco via, deixei de ver, abro a minha boca não tenho palavras, não se ecoa nenhum som, ficaram do outro lado do vidro… dou por mim num pranto de lágrimas e soluços, num mundo mudo… as minhas mãos, os meus braços tentam libertar-se, cerro os pulsos, toda a força é pouca. Desejo que aquele vidro brilhante, onde vejo o meu reflexo fosco, se parta em mil pedacinhos, que me corte… que veja finalmente algum sangue correr. Só existem sentimentos, emoções… perdi o fluxo da vida… o meu coração não tem mais que bombear, temo que pare, temo que expluda de tamanha dor ,que não tenha força para bombear o peso das palavras que transporto… sinto a minha cabeça girar, num turbilhão de nada, o som desapareceu, deixo de ver, esqueci o que é sentir, imagino uma dor, uma solidão, uma força cortante, deixo a minha testa apoiada naquela fina mas forte barreira…
Que hei-de fazer? Vou vagueando, protegida, vejo as palavras passar, há música do outro lado, que estarão a festejar?

Perco-me numa longa inspiração, tão profunda, tão infindável que me sinto sufocar, o meu cérebro desfaz-se em questões, estou a respirar, mas eu estou a respirar!!! O ar sumiu…consumido por entre o meu soluçar… até isso me abandonou. Permanecem as lágrimas, quentes que me escorrem por uma face pálida, dum olhar vago, dum corpo que não me quer...



mia*

Wednesday, September 10, 2008

Borboleta

se eu largar eu sinto a sua falta
se eu agarro ela perde a cor
ela não é dos meus dedos
é dos meus medos

e faço-me passar por uma flor
tento imaginar o que ela diz
à espera de aprender

à face da rua existe a lua
mas não é tua
à margem da estrada não há nada
mas já te agrada
tu és o teu mundo
tu és o teu fundo
tu és o teu poço
és o teu pior almoço
és a pulga na balança
és a mãe dessa criança
és o mal
és o bem
és o dia que não vem


agora pára de fazer sentido
não vês que assim estás a pisar fora da estrada
vê se agora paras de fazer sentido
não vês que nada nos dirá mais do que nos diz NADA

vê que o meu coração ainda salta
quer e julga ser capaz
não o faça por meus medos
faça nos dedos
e eu fico para ver o que ele faz
sem imaginar o que eu não fiz
à espera de viver

à face da chama existe a fama
mas não te ama
à margem do nada não há estrada
já não te agrada
tu és o teu preço
és a tua glória
tu és o teu medo
és a parte má da história
vê que o sol ainda brilha
ainda tem por onde arder
não é mau
não é bom
são razões para viver

se eu largar eu vou sentir a sua falta

tu és tu sempre que tu és
és mesmo tu quando pensas que és outra coisa
e tu pensas que não mas tu és mesmo bom a ser sempre quem és



daí o teu motivo ser inapagável
daí o teu desejo ser
incontornável
o prazer é tão maleável
daí o seu valor ser inestimável






(preguiça de escrever... foge foge bandido - Lado A. O amor dá-me tesão)

Tuesday, August 26, 2008

Seu jorge

Tive Razão...

Tive razão, posso falar
Não foi legal, não pegou bem
Que vontade de chorar, dói
Em pensar, q ela não vem só dói
Mas pra mim ta tranquilo, eu vou zuar
O clima é de partida, vou dar sequência na vida
E de bobeira é que eu não estou
E você sabe como é que é, eu vou
Mas poderei voltar quando você quiser

Oooooo aaaahhh...

Demorô, vai ser melhor...

Tive razão, posso falar
Não foi legal, não pegou bem
Que vontade de chorar, dói
Em pensar, q ela não vem só dói
Mas pra mim ta tranquilo, eu vou zuar
O clima é de partida, vou dar sequência na minha vida
E de bobeira é que eu não estou
E você sabe como é que é, eu vou
Mas poderei voltar quando você quiser

Demorô, vai ser melhor...

Oooooo aaaahhh...

Demorô, vai ser melhor...



as músicas na nossa vida...
beijinhos!
mia*

Wednesday, July 23, 2008

soltei as amarras

...de pé, braços abertos na imensidão que me rodeia, abraça, acaricia os instantes do meu desespero...
Solto as amarras que criei...

o som ecoa pelo espaço, desprende-se do tempo.
palavras soltas pairam no ar, passeiam-se, dançam, envoltas numa ternura e força profundas... permanecem no seu vaivém, numa marcha lenta, à espera...

também eu espero. permaneço de pé, pés bem colados ao chão, sinto as pedrinhas debaixo de mim. de frente, na beirinha da minha lua, braços em Cristo quero abraçar o tempo, dizer-lhe baixinho e ao ouvido: Bom Dia!, beijar-lhe a face, calma e ternamente.

existir...

Tuesday, July 1, 2008

luzinhas

a vontade vai e vem, a doce loucura permanece como a amargura e este desespero...

estou cansada, é hora de dormir!

Sunday, June 15, 2008

tranquilidade

...arrastei-me pelo quarto, debrucei-me no parapeito da janela, permaneci ali uns instantes.

senti uma vontade imensa de me sentar naquela beirinha...
encostei a cabeça, senti a pedra fria no meu corpo, estiquei as pernas, corri a janela, o vento frio e doce tocava-me levemente a face, acariciava o meu espírito.

lá em baixo encontrava uma cidade, que me parecia mais distante que os escassos metros que nos separavam...
no alto de um pequeno monte aparecia o castelo, iluminado por mil pequeninas luzes, que lhe davam algo de deslumbrante, uma magia inexplicável... queria ser invadida por essa magia, pela quietude que pairava pela cidade, também ela envolta num silêncio e calma invejáveis...

deixei-me ficar... a saborear o momento, a contemplar, a ver a vida passar...